segunda-feira, 20 de junho de 2011

A culpa é de Clarice


Na onda do Twitter e principalmente dos aplicativos do Facebook qualquer um pode fazer a linha “intelectual”. Já repararam o quanto as pessoas têm citado Chico Buarque, Bob Marley, Caio Fernando de Abreu e tantos outros sem se quer conhecer uma obra inteira dos mesmos?
Confesso, sem vergonha alguma, que também fiz muito disso, mas a “banalização” de Clarice Linspector na rede me causou grande incomodo, afinal, a coisa já estava ficando bem chata! E justamente por isso, na contramão da maioria, resolvi procurar conhecer melhor a obra de Clarice e posso afirmar: Clarice deve estar muito p da vida conosco!
Em uma coletânea de crônicas, descobri um texto, de 07 de outubro de 1967, intitulada “Chacrinha”, na qual Clarice se mostra horrorizada com as bizarrices do hoje considerado um dos maiores comunicadores da era televisiva. A autora se assustou com a vulgaridade do programa, do desejo pelos quinze minutos de fama dos participantes e pela maneira tanto peculiar do animador. Clarice não sobreviveria ao nosso tempo! Por mais contemporâneos que sejam seus textos, Clarice é uma mulher a moda antiga!
Fico imaginando o quão brava Clarice está com a banalização de seu nome nas redes. E com razão! Quem tem a oportunidade de ler Clarice e encontrar uma de suas tão citadas frases encontra um contexto completamente diferente do que hoje as pessoas utilizam, sem, é claro, perder a doçura e o entendimento único do sentimento humano.
Mas porquê culpar Clarice? É que lendo Clarice, sua luta cotidiana, conhecendo seus laços e entrando um pouquinho em sua intimidade, deu vontade também de bancar a “escritora”, sem, é lógico, tentar se comparar a ela. Quero apenas brincar de ser Clarice!
Ah, e um pedido: Leiam os autores antes de citá-los, afinal, na internet, todo mundo pode bancar o intelectual, mas poucos escapam do ridículo!

1 comentários:

  1. Olá...
    Foi bom ter encontrado seu texto a respeito de Clarice. Francamente, tudo o q vejo por aí de frases dela acho uma chatice. Ao menos posso concordar c/ela de q o Chcarinha - apesar de depois de morto ser demasiademente incesado - também foi um chato.

    Nas frases de Clarice q se citam por aí, nunca vi nada demais. Mas vou procurar alguma biografia dela pra ver se realmente era tudo isso q dizem.

    Qto ao Chico Buarque, muitas (não todas) músicas dele fizeram pate de minha vida, eu amo. Tudo dentro dos limites, assim como outros e tantos poetas/músicos/escritores a mais que temos por aí.

    Abs, ju

    ResponderExcluir